FORUM DE DOR DAS ILHAS DO ATLÂNTICO


INFUSOR ELASTOMÉTRICO - DIB

 

Um dispositivo descartável, provido de um depósito elastométrico, para a administração de medicação, funciona a uma pressão interna constante e proporciona um fluxo contínuo de medicação durante o período de infusão, com a velocidade do fluxo nominal, indicado em cada tipo de infusor.

Na sua estrutura podemos diferenciar o corpo do infusor - elemento que protege o reservatório, o reservatório - depósito que contém o medicamento e a linha de infusão -elemento que estabelece comunicação entre o reservatório e o acesso efectuado no doente.

O princípio básico destes dispositivos é o de uma membrana elástica, formada por uma ou duas capas, que é conectada a uma linha/via de extensão, que incorpora um regulador de fluxo, que por sua vez se conecta ao doente - via EV, SC ou epidural. 

O reservatório é preenchido através de uma válvula de uma só direcção, e não é possível extrair o seu conteúdo através da válvula.

A medicação expande o reservatório e uma vez cheio com o volume desejado, contrai-se descarregando o fármaco com uma pressão constante.

A capacidade do reservatório varia entre os 50 e 275ml, de acordo com o modelo escolhido. Existe uma variada gama de infusores (12h, 24h, 48h, 4 dias, 5 dias, 7dias e 11dias), com distinta especificidade e diversas velocidades de infusão, o que nos permite utilizar o modelo mais adequado em função das necessidades do doente.

 

Características

 

Ø      Estrutura flexível e de fácil utilização;

Ø      Cómodos – pequenos, leves e fáceis de transportar;

Ø      Seguros – circuito fechado e por ser transparente podemos observar qualquer alteração na composição da solução, assim como no seu volume.

 

Indicações

 

Os infusores podem ser colocados em doentes que requeiram de uma lenta e contínua administração endovenosa, subcutânea ou epidural de medicação.

Ø      São adequados para uso em doentes ambulatórios e com doenças em fase terminal que precisam de infusão contínua de anestésicos, analgésicos, antieméticos, ansiolíticos, esteróides e outros.

Ø      Estão indicados para a administração de quimioterapia.

 

Contra-indicações

 

Ø      Administração rápida de medicamentos;

Ø      Recusa do doente e cuidador.

 

Vantagens

 

Ø      Permite controlar adequadamente a dor nos doentes em fase terminal da doença;

Ø      Possibilita efectuar certas associações farmacológicas;

Ø      Trata-se de uma terapia pouco cruenta e de fácil execução;

Ø      O infusor é leve e de pequenas dimensões, implicando um fácil transporte;

Ø      A sua manutenção é simples, não necessita de baterias e não tem alarmes;

Ø      Possibilita o tratamento domiciliário melhorando a qualidade de vida do doente, evitando internamento hospitalar e reduzindo o consumo com a saúde.

 

Inconvenientes

 

Ø      Inexistência de alarmes;

Ø      O fluxo nominal pré estabelecido em cada infusor pode variar ligeiramente em função da temperatura, viscosidade da mistura e o gradiente de nível entre o reservatório e o local de acesso do doente.

 

Precauções

 

Ø      Não reesterilizar nem reutilizar os infusores elastométricos;

Ø      Utilizar exclusivamente a linha de infusão que acompanha o infusor;

Ø      O fluxo nominal da infusão está calculada para condições de 32ºC de temperatura e quando se utiliza como diluente do fármaco o recomendado por cada comerciante. A precisão é de ±10%.

Ø      Não encher o reservatório acima do volume indicado;

Ø      Evitar um excesso de temperatura ou de humidade ou uma exposição directa da luz durante o armazenamento dos infusores elastométricos.

 

Preenchimento do infusor - procedimento geral

 

Preencher uma seringa de 60ml com a medicação seleccionada assim como o diluente – soro fisiológico a 0.9% ou soro glicosado a 5% - utilizando técnica asséptica, eliminar as bolhas de ar, conectá-la à válvula de preenchimento e preencher com a diluição o reservatório do infusor de acordo com o modelo escolhido; uma vez preenchido o balão, a linha de infusão fica imediatamente preenchida; comprovar se goteja adequadamente. A primeira introdução no balão deve ser efectuada apenas com soro simples, evitando uma sobredosagem de medicação, ao ser colocado o DIB em funcionamento

Deste modo, o infusor está preparado para ser conectado ao acesso que o doente possui.

Para comodidade do mesmo, podemos introduzir o infusor no bolso do pijama ou numa bolsa de tecido que acompanham alguns infusores e prende-se com alfinetes à roupa que o doente tem vestida.

A utilização deste tipo de sistema de administração de medicação, em perfusão contínua, está sendo cada vez mais utilizada, quer nos serviços de Oncologia, Unidades de Cuidados paliativos, Unidades de Terapêutica de Dor e nos Cuidados de Saúde Primários.

É uma óptima alternativa, para ser utilizada em doentes no domicílio, para administração de fármacos, via subcutânea. Permite-nos:

Ø      Controlar a maioria dos sintomas, nos doentes em fase terminal da doença, em especial a dor;

Ø      Manter adequado nível plasmático de medicação;

Ø      Método pouco cruento e de fácil execução;

Ø      Cómodo para o doente, pequeno, leve e de fácil transporte;

Ø      De fácil manipulação para o doente e/ou cuidador, não requer baterias, não tem alarmes, sendo por isso silencioso;

Ø      Aumentar a qualidade de vida do doente, pois podemos administrar diversos fármacos através destes sistemas, sem que o doente tenha que abandonar a sua residência, diminuindo todos os transtornos de uma hospitalização, assim como os gastos, em geral. 

 

 

 


Enfª Clara Pereira;  Drª Decla Freitas; Enfª Fátima Vieira;  Drª Isabel Brazão; Drª Teresa Ferreira

Unidade de Terapêutica de Dor – Hospital Central do Funchal