FORUM DE DOR DAS ILHAS DO ATLÂNTICO

 

Bombas de Morfina: Cuidados de Enfermagem

 

*Sónia Leça, Nélio Leça, Rita Góis

 

*Enfermeiros do Internamento da Unidade de Terapêutica da Dor e Ginecologia do Hospital Central do Funchal

 

As bombas de morfina consistem num sistema de fluxo cons­tante, composto essencialmente por uma bomba de titânio e um cateter de silicone.

Através de pequena cirurgia o cateter é colocado no espaço intratecal (subaracnoideu) e ligado à bomba, que é colocada no espaço subcutâneo abdominal através de um cateter tunelizado.

São usadas essencialmente para o tratamento da dor crónica, quando os tratamentos convencionais falham ou existem muitos efeitos secundários associados á medicação oral ou endovenosa. A dor crónica limita a mobilização, agilidade, actividade e o bem-estar.

A bomba de morfina não cura a doença subjacente, mas pode reduzir a dor a um nível tolerável e melhorar substancial­mente a qualidade de vida.

São implantadas em utentes com esperança de vida elevada (superior a 6 meses) devido ao alto custo.

Os cuidados de enfermagem têm como objectivos

·         Despistar complicações pós-operatórias.

·         Avaliar a eficácia do sistema.

·         Preparar o utente para a alta.

 

Cuidados de Enfermagem

 

·         Avaliação e registo das características da dor:

          - Tipo

                - Intensidade

·         Fazer penso ás suturas cirúrgicas a cada 48/72 H e SOS . Observação e registo das características das suturas, des­pistando presença de sinais inflamatórios

·         Informação ao utente acerca da importância de manter os pensos secos / colocar opsite

·         Estar desperto para possível resposta do sistema imunoló­gico aos materiais implantados

·         Explicação do funcionamento do programador externo, caso se aplique.

·         Ensino ao utente:

          - Evitar actividades extenuantes, dobrar, alongar ou torcer o corpo, ou manusear a bomba através da pele de modo a mi­nimizar os riscos de desconexão ou angulatura do cateter.

          - Provável existência de cor/desconforto no local de inser­ção da bomba até 6 semanas após colocação.

          - Explicar importância de manter o local do implante limpo, seco e protegido contra pressões externas.

          - Desencorajar utentes a exercerem actividades que envol­vam mudanças de pressão ou temperatura (mergulho, sauna, jacuzi, voos de longa duração).

          - ormar aos profissionais de saúde, sempre que necessite e tratamento, que possuem um sistema de fluxo constante (ou programável) de morfina implantado.

          - Mostrar cartão de identificação ao entrar em locais comer­ciais, evitando a passagem pelos dispositivos de detecção / detector anti-roubo.

                - Incentivar utentes a manifestarem de imediato qualquer tipo de reacções não usuais.

                - Alertar os utentes que pretendam viajar para a neces­sidade de preenchimento da bomba atempadamente.

                - Explicar importância das consultas de seguimento.

 

 

 

Bibliografia

1. Isselbacher, K. et ai, (1994). Harison 's / Principies oflnternal Medicine. 13th Ed. Vo11. México: McGrow-Hi/I

2. Smeltzer, Suzanne c.& Bare, Brenda G, (1994). Brunne/Suddarth Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 7_ Ed. Vol1.Rio de Janeiro: Guanabara Koogan

3. Midgley, Ruth et ai, (1992). Enciclopédia de Medicina. 1_ Ed. Vo11. Lisboa: Mirandela Artes Gráficas

4. Castro, Manuel Ruiz, (2003). Manual Práctico de Dolor. Madrid: PBM